Destaques de outubro/2008:

 

Matéria do mês:

 

 

 

Cidades do mundo inteiro estão optando por telhados ambientalmente “verdes” ou “telhado verde” como forma de melhorar alguns problemas urbanos. O telhado verde - também conhecido como cobertura viva, ecotelhado ou biocobertura -, consiste no uso de vegetação sobre a cobertura de edificações com impermeabilização e drenagem adequadas. Folhagens, arbustos e outros vegetais plantados no telhado de uma construção podem mantê-lo mais fresco no verão, diminuindo custo de energia com ar-condicionado, além de reduzir a poluição ambiental de grandes centros urbanos.

 

Em um dia ensolarado um telhado pintado de preto, ou com pixe, pode atingir 100°C; um telhado branco chega a 50°C; já um telhado verde não passa de 30ºC, segundo dados divulgados na Revista Scientific American Brasil – julho 2008.

 

Na Europa os ecotelhados já têm sido adotados há mais de uma década. Tóquio (Japão), agora exige que pelo menos 20% de qualquer novo telhado, em construções médias ou grandes, sejam cultivados. Nos Estados Unidos, Chicago é a cidade campeã na adoção de coberturas vivas, com 33.000 m2 em 2006. No estado de Nova Iorque foi proposto, como parte de um pacote legislativo, o pagamento para os proprietários que implantem telhados verdes em pelo menos 50% de suas coberturas até 2011.

 

Os instaladores de telhados verdes raramente usam terra como meio de plantio, pois ela é pesada e forma aglomerados após chuvas sucessivas, reduzindo a retenção de água e a aeragem para as raízes. Assim, optam por materiais processados como a argila granulada, por exemplo. Geralmente esses telhados têm cinco camadas: barreira contra raízes, tapete de proteção, camada de drenagem, lâmina de filtro e meio de plantio.

 

As plantas mais utilizadas são as xerófitas, similares ao cáctus, que economizam água e podem sobreviver em condições adversas em cima do telhado. Essas espécies não precisam de regas nem de podas. Veja uma animação e saiba mais clicando aqui.


 

Links selecionados:

 

Destaques de setembro/2008:

Matéria do mês:

 

 

 

O “Comércio Justo” (Fair Trade) é um movimento internacional, que surgiu na metade dos anos 1960, para a promoção de condições de mercado mais justas entre países consumidores e produtores de países em desenvolvimento. Mais conhecido na Europa, o “comércio justo”, “solidário” ou “ético” é um movimento social e um sistema internacional de comércio, que busca atenuar desigualdades nos países pobres, por meio da venda de produtos feitos em padrões sustentáveis.

 

No Brasil, produtos com o certificado do comércio justo ainda são raros, sendo que esse sistema só começou a ficar mais estruturado a partir de 2003. Contudo, os produtos já certificados internacionalmente são exportados para a Europa, como por exemplo: manga Tommy, suco de laranja e alguns tipos de café. Tais produtos têm um selo onde está escrito “FAIRTRADE”, ou seja, indica que seguem os padrões internacionais desse movimento social e econômico, que põe a questão humana na frente do lucro.

 

Essas mercadorias são vendidas pelo “preço justo”, isto é, pelo preço suficiente para que pequenos produtores consigam manter tanto um padrão de vida digno, quanto os modos tradicionais de produção. Para terem direito a uma remuneração extra, chamada “prêmio”, que é somada ao preço mínimo do produto, as organizações de agricultores precisam demonstrar às certificadoras do comércio justo que têm uma estrutura transparente e democrática, com todos decidindo como usar o dinheiro. A diferença entre o preço comum e o “justo” é financiada pelo consumidor preocupado com a responsabilidade assumida pelo que compram. Além da fonte, toda a cadeia de fornecimento é monitorada para assegurar a integridade dos produtos etiquetados.

 

Por enquanto, só alguns gêneros agrícolas e seus derivados podem levar o selo. A International FairTrade Association (IFAT) é uma certificadora que dá aval a organizações de comércio justo e a FLO-Cert, verifica o produto.

 


Links selecionados:

 

Destaques de agosto/2008:

 

Matéria do mês:

 

O Homem lança mais de 35,5 bilhões de toneladas de CO2 por ano na atmosfera, segundo dados do The Climate Analysis Indicators Tool (CAIT) 2003,  sendo o principal gás causador do aquecimento global.  Para diminuir esse número foram criados projetos de redução de emissões de gases de efeito estufa. Estes projetos, após serem avaliados segundo metodologias aprovadas pela Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC, na sigla em inglês), podem gerar créditos de carbono.

 

O mercado de créditos de carbono começou a se formar em 1997, quando foi assinado o Protocolo de Kyoto que estabeleceu metas de redução de gases de efeito estufa para as nações desenvolvidas, identificadas no acordo como países do Anexo 1. De forma resumida, quem não conseguir atingir as metas pode compensar esse déficit adquirindo créditos de carbono, gerados em projetos implementados em países em desenvolvimento.

 

O emergente mercado de carbono representa um contexto no qual o pagamento por serviços ambientais está sendo debatido. Há crescente reconhecimento de que os projetos que vão interessar investidores - pelo menos no primeiro período de compromisso (2008 a 2012) - são aqueles que de alguma forma reduzem emissões diretamente, seja pela substituição energética, seja por redução de emissões de gases menos nocivos para o efeito estufa em diversas atividades. Esses créditos são comercializados no âmbito do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) - um novo mercado criado por Kyoto - ou em bolsas regionais, como a do Japão, Canadá, Climate Chicago Exchange (CCX) ou na European Union Emission Trading Scheme. A BM&F brasileira já conta com uma plataforma para negociação de créditos de carbono gerados em projetos de diversas empresas brasileiras.

 

O mercado de carbono também existe fora do contexto de Kyoto, com programas voluntários de redução das emissões. O mercado voluntário abre as portas para a inovação, já que não tem muitas regras pré-estabelecidas como no Protocolo de Kyoto, e para projetos de menor escala que seriam inviáveis sob Kyoto. As negociações são guiadas pelas regras comuns de mercado, podendo ser efetuadas em bolsas, através de intermediários ou diretamente entre as partes interessadas. A convenção para a transação dos créditos é o CO2 equivalente (*).

 

No entanto, é menor o potencial do Brasil de captar recursos por créditos de carbono, se comparado com outros países em desenvolvimento que hoje têm baixa presença de fontes renováveis em suas matrizes energéticas (principalmente a China). Isso porque o País já dispõe de uma base energética cuja presença de fontes renováveis é bastante superior à média dos países em desenvolvimento. Contudo, a redução de CO2 não se limita à substituição energética, pois inclui também a redução de emissões de gases nocivos para o efeito estufa, como mencionado acima. Então, veja estas duas matérias sobre o mercado brasileiro:  Créditos de Carbono - Oportunidade para o Mercado Brasileiro e Mercado de CO2 fica mais rentável e eficiente.

 

 

(*) CO2 equivalente é uma medida utilizada para comparar as emissões de vários gases de efeito estufa (GEE) baseada no potencial de aquecimento global de cada um. O dióxido de carbono equivalente é o resultado da multiplicação das toneladas emitidas do GEE pelo seu potencial de aquecimento global. Por exemplo, o potencial de aquecimento global do gás metano é 21 vezes maior do que o potencial do CO2, então, considera-se que o CO2 equivalente do metano é igual a 21.

 

 

Links selecionados:

 

 

 

 

 

 

 

 

  

 

Clique aqui para ver as matérias que já foram publicadas neste blog e, também, não deixe de dar uma olhada nesta página até o final.

Destaques da 2º quinzena de julho/2008:

      o Nível de concentração de CO2 na atmosfera bate novo recorde

 

Os gases de efeito estufa dióxido de carbono (CO2) e metano (CH4) atingiram os níveis mais altos na atmosfera nos últimos 800 mil anos, no mínimo. Enquanto na época da Revolução Industrial a taxa de CO2 na atmosfera não ultrapassava 240 ppm (partes por milhão), nível considerado normal pelos cientistas, hoje, com a ação humana, o gás carbônico na atmosfera já chegou a 387 ppm, reflexo da queima de combustíveis fósseis e de desmatamentos e queimadas de florestas. Alguns estudos indicam que a partir de 450 ppm a vida humana no planeta pode tornar-se inviável. Atualmente a China é o maior poluidor, com 24% das emissões de gás carbônico.

 

É preciso pensar acerca dessas mudanças desde já, pois mudar todo o sistema de energia leva muito tempo, sendo que os investimentos de hoje é que irão definir o tipo de energia que se terá nas próximas décadas. Para reverter essa situação, será necessário reduzir as emissões gás carbônico e, para isso, é preciso uma “revolução tecnológica”, pois será preciso reduzir 50% das emissões até 2050. Veja uma matéria acerca da Cúpula do G8 (França, Alemanha, Itália, Reino Unido, Estados Unidos, Canadá, Japão - grupo dos sete países mais industrializados do mundo – mais a Rússia), ocorrida no início de julho na Ilha de Hokkaido (Japão), abordando acordo sobre isso, visto pelas organizações ambientalistas como “tímido”.

 

Ademais, o aumento das concentrações de CO2 na atmosfera pode prejudicar o equilíbrio estabelecido entre oceanos e biosfera que fazem suas trocas de carbono através da atmosfera. Normalmente, os oceanos são capazes de absorver mais ou menos a metade do dióxido de carbono produzido na Terra. Porém, já comprovado em pesquisas científicas, quando as águas de superfície são mais quentes, a capacidade de absorver CO2 diminui. Saber a quantidade de CO2 que os oceanos serão capazes de absorver no futuro é importante para se fazer projeções a longo prazo das mudanças climáticas. Quanto mais aumentar a temperatura dos mares, menor será sua capacidade de desempenhar a função reguladora. Com isso, as concentrações de CO2 na atmosfera aumentarão e a temperatura também, inclusive a dos oceanos, levando a um círculo vicioso.

 

Se tudo isso já não bastasse, na piora da concentração de dióxido de carbono na atmosfera, a devastação da Amazônia continua a passos largos. Somente entre abril e maio, deste ano, o desmatamento é equivalente à perda de duas cidades do Rio de Janeiro. Ou seja, além de outros problemas, implica menos capacidade de absorção de CO2. Por outro lado, Resolução 315 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), publicada em 2002, estabelece limites máximos de emissão de poluentes pelos motores de veículos pesados, como caminhões e ônibus. Contudo, veja os comentários acerca de um debate para saber de quem é a culpa pelo não-cumprimento daquela Resolução.

 

Segundo afirmou o presidente do IPCC (Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas) da Organização das Nações Unidas, Rajendra Pachauri, a humanidade tem 7 (sete) anos para estabilizar as emissões de CO2: "Temos uma janela de oportunidade de apenas sete anos, pois as emissões terão que chegar ao máximo até 2015 e diminuir depois disso. Não podemos permitir um atraso maior"

 

 

      o Biodiversidade e Biopirataria:

 

Diversidade biológica, ou biodiversidade, refere-se à variedade de vida na Terra, incluindo: a variedade genética dentro das populações e espécies, a variedade de espécies da flora, da fauna e de microrganismos, a variedade de funções ecológicas desempenhadas pelos organismos nos ecossistemas, bem como a variedade de comunidades, habitats e ecossistemas formados pelos organismos. Biodiversidade inclui, em síntese, a totalidade dos recursos vivos, ou biológicos, e dos recursos genéticos e seus componentes.

 

A biodiversidade é uma das propriedades fundamentais da natureza, responsável pelo equilíbrio e estabilidade dos ecossistemas, e fonte de imenso potencial de uso econômico. Contudo, dados da Organização das Nações Unidas (ONU) informam que já se destruiu 70% da vegetação original. Segundo pesquisa The Economics of Ecosystems and Biodiversity (TEEB), ou A Economia de Ecossistemas e Biodiversidade, os atuais índices de declínio na natureza podem reduzir o Produto Interno Bruto (PIB) global em cerca de 7% até 2050. A Conferência da ONU sobre a biodiversidade - 9ª Conferência das Partes sobre a Biodiversidade da ONU (COP 9) -, que se realizou em Bonn, em maio passado, propôs a criação do “IPCC da biodiversidade”, similar ao IPCC (Painel Intergovernamental para Mudanças Climática), com o objetivo de frear o ritmo de desaparecimento das espécies e dos ecossistemas até 2010

 

Estima-se que o Brasil seja o país que tem a maior biodiversidade do planeta com cerca de 150 mil espécies já pesquisadas e catalogadas ou 13% de todas as espécies de flora e fauna que existem no mundo. Ainda faltam identificar 90% deste potencial. A Amazônia abriga a maior parte desses recursos. Mas a abundância de vida na Amazônia e no Brasil, em geral, é também um ponto vulnerável entrando em cena outro problema: a biopirataria. Cientistas estrangeiros entram na floresta, sem autorização de autoridades brasileiras, para obter amostras de plantas ou de espécies animais. Levam estas para seus países, pesquisam e desenvolvem substâncias, registrando patente e depois lucrando com isso. O grande problema, no sentido comercial, é que o Brasil teria que pagar, futuramente, para utilizar substâncias cujas matérias-primas são originárias do nosso território.

 

 

      o Pegada Ecológica:

 

Já parou para pensar que a forma como vivemos provoca impactos ambientais, deixando “marcas” na Natureza? Nossa caminhada pela Terra deixa “pegadas”. Pegada ecológica é o nome de uma metodologia criada para avaliar a área de terra e de água que uma pessoa ou a população inteira de uma cidade precisa, em um ano, para produzir os recursos que consome e assimilar os resíduos gerados, incluindo as emissões de gás carbônico na atmosfera. Em linhas gerais, o método traça uma comparação entre o consumo humano e a capacidade da natureza de suportá-lo.

 

Um recente estudo de pegada ecológica realizado pela organização não governamental World Wildlife Foundation (WWF) dá conta de que cada habitante da Terra precisaria de 2,9 hectares por ano para manter seu estilo de vida atual. Acontece que, hoje, cada ser humano tem à disposição apenas 1,6 hectare. Ou seja, nesse ritmo de consumo seria necessário um espaço equivalente a quase um planeta e meio para suportar tamanha carga de utilização dos recursos naturais. Pior, o resultado é só uma média mundial, sendo que se toda a população do globo terrestre adotasse hábitos como os de norte-americanos e japoneses, por exemplo, seria preciso três planetas! Veja como reduzir a sua “pegada”, clicando aqui.

Destaques da 1ª quinzena de julho/2008:

 

      o Sustentabilidade:  

 

A definição mais aceita para desenvolvimento sustentável é o desenvolvimento capaz de suprir as necessidades da geração atual, sem comprometer a capacidade de atender as necessidades das futuras gerações. Essa definição surgiu na Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (CMMAD), criada pelas Organizações das Nações Unidas (ONU) para discutir e propor meios de harmonizar dois objetivos: o desenvolvimento econômico e a conservação ambiental. O Relatório Brundtland ou Relatório Nosso Futuro Comum, elaborado em 1987 pela CMMAD, aponta para a incompatibilidade entre desenvolvimento sustentável e os padrões de produção e consumo vigentes.

 

Muitas vezes, desenvolvimento é confundido com crescimento econômico, que depende do consumo crescente de energia e recursos naturais. O desenvolvimento sustentável sugere qualidade em vez de quantidade, com a redução do uso de matérias-primas e de produtos e o aumento da reutilização e da reciclagem. Em seu sentido mais amplo, a estratégia de desenvolvimento sustentável visa promover a harmonia entre a humanidade e a natureza e se refere, principalmente, às conseqüências dos impactos das atividades econômicas na qualidade de vida e no bem-estar da sociedade, tanto presente quanto futura. Portanto, atividade econômica, meio ambiente e bem-estar da sociedade formam o tripé básico no qual se apóia a idéia de desenvolvimento sustentável.

 

A idéia de responsabilidade social incorporada aos negócios é relativamente recente. Com o surgimento de novas demandas e maior pressão por transparência nos negócios, empresas se vêem forçadas a adotar uma postura mais responsável em suas ações. Durante os anos 90, algumas empresas passaram a divulgar periodicamente, nos chamados relatórios ou balanços sociais anuais, as ações concretas realizadas em relação à comunidade a sua volta, ao meio ambiente e ao seu próprio corpo de funcionários. Primeiramente, sob a forma de documentos internos e, depois, pelos meios de comunicação e de divulgação da própria publicidade corporativa.

 

Responsabilidade Social Corporativa (RSC) é um conceito que faz referência ao conjunto de compromissos assumidos pelas empresas no âmbito laboral, social, ambiental e relativo aos direitos humanos,  constituindo mais uma área integrante das estratégias de seus negócios. A ONU, por meio do Global Compact ou Pacto Global e seus dez princípios universais, define diretivas orientadoras para as empresas que optem por contribuir para o desenvolvimento sustentável. RSC trata do comprometimento permanente dos empresários de adotar um comportamento ético e de contribuir para o desenvolvimento econômico, simultaneamente, à qualidade de vida de seus empregados e de seus familiares, da comunidade local e da sociedade como um todo. Assim, responsabilidade social empresarial (RSE) passou a ser uma prioridade inevitável para dirigentes empresariais em qualquer país, bem como uma vantagem competitiva. O desafio e a responsabilidade são grandes e esta visão de longo prazo do setor empresarial, aliada a sólidas parcerias com governos e sociedade civil, será preponderante para mudar o cenário global, invertendo o crescimento da degradação ambiental e da exclusão social. A frase do presidente do Conselho Empresarial Mundial para o Desenvolvimento Sustentável (WBCSD), Bjorn Stigson, resume bem essa questão: “Não existem empresas bem sucedidas em uma sociedade falida”.  

 

      o A importância das energias renováveis e limpas:

 

As temperaturas médias da Terra nunca foram constantes, mas o atual aquecimento global, na avaliação majoritária e crescente da comunidade científica internacional, é decorrente das ações do homem, mais especificamente fruto das fontes de energia utilizadas. Desde que usou o fogo pela primeira vez, a humanidade começou, ainda que em escala insignificante, a mudar a composição da atmosfera e, assim, dar sua contribuição para a variação climática, especialmente pela elevação da temperatura global média. As mudanças significativas chegaram com a Revolução Industrial, quando as máquinas a vapor começaram a se espalhar pelo mundo, por volta de 1750, sendo que a madeira era responsável por 90% da energia disponível. Por volta de 1890, o carvão mineral já superava a lenha e seu predomínio se deu até os anos 60. A partir daí começou o reinado do petróleo, cuja queima produz poluentes, entre eles, o gás carbônico (CO2) que é o vilão do aquecimento global, fora a questão do preço que não pára de subir.

 

Nesse contexto, atualmente muito se comenta acerca da necessidade de se investir, desenvolver e utilizar fontes de energia renováveis e limpas. Energia renovável é aquela obtida de fontes naturais capazes de se regenerar, ao contrário dos recursos não-renováveis. Energia limpa é a que provoca baixa ou nenhuma emissão de gás carbônico e metano (gases do efeito estufa) na atmosfera. Além do petróleo, que demora milhares de anos para se reconstituir na natureza, e de seus derivados - a gasolina, o óleo diesel, o óleo combustível, o GLP ou gás de cozinha - são recursos não-renováveis outros combustíveis fósseis, como o carvão e o gás natural, e a energia produzida nas usinas nucleares. Já entre as fontes renováveis encontram-se o sol (energia solar), o vento (energia eólica), os oceanos e a biomassa. As hidrelétricas são também consideradas energia renovável.

 

Tecnicamente, a geração de energia a partir do sol já é viável, entretanto, ela só será economicamente possível quando atingir uma escala de produção considerável. Assim como a energia hidráulica, a energia eólica é utilizada há milhares de anos para bombeamento de água, moagem de grãos e outras aplicações que envolvem energia mecânica. Mas, somente com a primeira crise internacional do petróleo, na década de 1970, é que houve interesse e investimentos suficientes para viabilizar o desenvolvimento e aplicação de equipamentos em escala comercial. Por sua vez, biomassa é todo recurso renovável oriundo de matéria orgânica (de origem animal ou vegetal) que pode ser utilizada na produção de energia. A queima de biomassa provoca a liberação de dióxido de carbono na atmosfera, mas como este composto havia sido previamente absorvido pelas plantas que deram origem ao combustível, o balanço de emissões de CO2 é nulo. Então, o importante é que não apenas se desenvolva tecnologias de energia limpa, mas também que se trabalhe para torná-las mais baratas e acessíveis.

 

No Brasil, em 2007, a participação de fontes renováveis (energia hidráulica, produtos da cana-de-açúcar, lenha e carvão vegetal) na matriz energética foi ampliada, segundo dados da Empresa de Pesquisa Energética (EPE). Dados preliminares do BEN (Balanço Energético Nacional) indicam que as fontes renováveis foram responsáveis por 46,4% da oferta energética no país em 2007, sendo que ano anterior essas fontes respondiam por 44,9% da matriz. As fontes não renováveis (petróleo e derivados, gás natural, carvão mineral) corresponderam a 53,6% da oferta de energia no ano passado, ante participação de 55,1% em 2006. No ano de 2007, a cana-de-açúcar passou a ser, pela primeira vez, a segunda matriz energética do Brasil, superando a energia hidráulica como fonte de energia, só perdendo para o petróleo. Mas, os benefícios disso não é algo pacificado, veja a matéria que saiu no jornal britânico The Independent acerca das desvantagens do álcool combustível.

 

Conheça, também, alguns comentários acerca do estudo encomendado pelo Reino Unido, através do Global Opportunity Fund, a professores e pesquisadores da Coppe, instituto de pós-graduação e pesquisa da Universidade Federal do Rio de Janeiro, liderados por Roberto Schaeffer e Alexandre Salem Szklo, para avaliar o impacto das mudanças climáticas no sistema energético brasileiro no período 2071 a 2100

 

      o As dez melhores fotos...

Clique no link para ver imagens incríveis da Terra - "Top Ten" Crew Earth Observations – presentes no site da NASA. Conheça também o "Earth Clock"  (Relógio da Terra).

 

Destaques da 2ª quinzena de junho/2008:

 

            o Poluição dos Mares

 

Fonte de riquezas supostamente inesgotáveis, os oceanos cobrem dois terços da superfície terrestre e há muito tempo servem de depósito para todo tipo de resíduos produzidos pelo homem. O atual estilo de vida das populações humanas é o principal responsável pela crescente degradação dos oceanos. Enquanto a natureza é eficiente na reciclagem de seus resíduos, o homem continua acumulando o lixo. Veja este estudo que revela que quase todo o oceano já foi danificado de alguma maneira pela ação do homem, e pelo menos 41% de suas águas foram seriamente afetadas.

 

Grande parte dos poluentes despejados no mar vem de fontes terrestres e tendem a se concentrar nas regiões costeiras, que concentra a maior parte da população humana (até 100 km da costa), sendo, justamente, o habitat marinho mais vulnerável. Os freqüentadores das praias também contribuem para o problema, às vezes de forma alarmante, ao deixarem os próprios resíduos na areia, pois a dinâmica costeira (ventos, ondas e marés) transfere o lixo para a água, tornando sua coleta muito mais difícil.

 

O pior problema, atualmente, acerca da poluição dos mares é o enorme despejo de esgoto não-tratado e de efluentes industriais, sem qualquer preocupação com as possíveis conseqüências. Em todo o mundo, grande quantidade de esgoto doméstico é despejada no mar, mas somente uma parte é previamente tratada. O oxigênio e as bactérias do mar ajudam a neutralizar o esgoto, tornando-o inofensivo e permitindo que seja usado por animais e plantas. Contudo, a quantidade de resíduos que pode ser despejada nele é limitada. O número de pessoas que vivem em cidades litorâneas está crescendo em todo o nosso planeta, e mais esgoto é produzido sem que o mar possa processá-lo.

 

Praias sujas, é evidente, não favorecem o turismo ou a pesca artesanal e, além disso, o acúmulo de lixo favorece o desenvolvimento de microrganismos como fungos e bactérias, que causam doenças aos homens. Do ponto de vista oceanográfico, os problemas são ainda maiores. No caso da fauna marinha, o lixo causa diversos transtornos, por exemplo: garrafas e outros recipientes podem aprisionar pequenos animais; plástico e isopor são confundidos com alimentos e quando ingeridos por peixes, aves, répteis e mamíferos, quase sempre lhes causa a morte, em geral, por obstrução do aparelho digestivo; metais e vidros também ameaçam a vida dos animais marinhos, pois eles podem se cortar e sofrer infecções, às vezes fatais; redes e linhas de pesca, abandonadas ou perdidas no oceano, tornam-se armadilhas fatais, já que muitos animais marinhos morrem por estrangulamento ou porque ficam presos e não podem se locomover, o que impede sua alimentação.

 

Portanto, os prejuízos ambientais e estéticos do acúmulo de resíduos sólidos na costa e no mar, somados às perdas econômicas que isso provoca (queda no turismo e gastos com a limpeza das praias), devem ser levados em conta visando adoção de medidas de prevenção. Veja esta matéria sobre os impactos do lixo marinho e Ação “Praia Local, Lixo Global”.

 

 

           

            o “Marketing Verde”

 

Cada dia que passa fica mais evidente que estamos vivendo uma equação que não se fecha, ou seja: um planeta limitado fisicamente, uma população crescente, um estilo de vida extrativista (recursos não renováveis) e poluidor (descartável) determinando um rápido esgotamento de tudo aquilo que nos proporciona vida (água, ar, solo, fauna e flora) e qualidade de vida (petróleo, minerais, energia, espaço, etc.). A possibilidade de extinção da vida vem nesta seqüência: primeiro são as plantas, depois os animais e depois o próprio homem é que sentirá os efeitos negativos da devastação e da poluição ambiental. A humanidade está usando mais recursos naturais do que o planeta é capaz de repor, isto é, está avançando sobre os estoques naturais da Terra, comprometendo as gerações atuais e futuras.

 

Assim, no momento em que a preocupação com as questões ambientais torna-se cada vez mais importante, esse tema passa a fazer parte da estratégia das empresas e, com isso, entra em cena o Marketing Ambiental, também chamado de Marketing Verde, Marketing Ecológico ou Green Marketing. Do escambo à globalização, a essência da troca (moeda por um bem ou produto) é a mesma: necessidades baseadas em valores e cultura definindo critérios de consumo e produção.  No caso do Marketing Verde, trata-se de um nicho (pequeno segmento da sociedade) crescente do mercado. Este tipo de marketing é representado pelos esforços das organizações em satisfazer as expectativas dos consumidores de produtos que determinem menores impactos ambientais ao longo do seu ciclo de vida (produção, embalagem, consumo, descarte, etc.) por conhecerem, compreenderem e não aceitarem as conseqüências das atividades extrativistas e  não sustentáveis que provocam o esgotamento de recursos naturais para as atuais e próximas gerações.

 

A adoção de um programa destes pode representar uma melhor posição competitiva, na medida em que representa uma reação das empresas mais socialmente responsáveis. Contudo, para uma empresa se posicionar como ambientalmente responsável, ela deve, antes de tudo, organizar-se para ser uma empresa ambientalmente responsável em todas as suas atividades. Para que isso aconteça, todos os funcionários devem estar conscientes de que a empresa não pode ter nenhuma falha no seu comportamento ambiental. No caso de falha do comportamento, o processo de reconstrução da imagem é muito demorado e difícil, sendo retratada pelos meios de comunicação como empresa ambientalmente irresponsável. Conheça, do lado do consumidor, alguns exemplos de incentivo que auxiliam na mudança de hábitos.

 

             

      o Ecossistema

 

Antes de se introduzir o conceito de ecossistema, faz-se necessário o conhecimento de outro conceito importante que é o de níveis de organização, entendido como sendo um conjunto de entidades agrupadas em ordem crescente de complexidade: genes – células – tecidos – órgãos – sistemas – espécies – populações – comunidades – ecossistemas – biosfera. As áreas de estudo da Ecologia vão de espécie até biosfera. O link do título leva a uma apresentação de vários conceitos interessantes intercalados com belas fotos. Conheça também um pouco acerca dos ecossistemas brasileiros.

 

Ecossistema é definido como sendo o conjunto dos relacionamentos que a fauna, a flora, os microorganismos e o ambiente, composto pelos elementos solo, água e atmosfera mantém entre si. Ou, ainda, é definido como o conjunto formado por todos os fatores bióticos (seres vivos) e abióticos (sem vida) que atuam simultaneamente sobre determinada região. Considerando como fatores bióticos as diversas populações de animais, plantas e bactérias e os abióticos os fatores externos como a água, o sol, o solo, o gelo, o vento. A alteração de um único elemento costuma causar modificações em todo o sistema, podendo ocorrer a perda do equilíbrio existente. A Terra é composta por vários ecossistemas sejam eles aquáticos, terrestres ou até mesmo aéreos. A soma de todos estes ecossistemas é chamada de biosfera. Por isso é que a conservação dos ecossistemas é muito importante, pois havendo alteração em um dos ecossistemas, haverá uma alteração global. Para compreender melhor esse processo veja, por exemplo, o dinamismo da cadeia alimentar.

Destaques da 1ª quinzena de junho/2008:

 

             o O valor da Floresta Amazônica

 

O link do título traz comentários acerca de um trabalho do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), que conclui que os avanços nos estudos da preservação e em formas menos irracionais de exploração da floresta não vão garantir, sozinhos, a sua sobrevivência. Sem essa consciência por parte de todos não se acredita ser possível salvar o que resta das florestas tropicais. Apesar de fundamentais, nem leis, nem decretos, nem descobertas científicas, nem aumento do efetivo do Ibama, enfim, nada disso conseguirá ser mais forte do que o desejo de lucro rápido e fácil que a destruição da floresta proporcionaPor exemplo, logo depois que Mariana Silva deixou o cargo de Ministra do Meio Ambiente (MMA), foi aprovada a Medida Provisória nº 422/2008, que pode contribuir com o desmatamento da Amazônia. Esta MP está na contramão dos esforços de combater o desmatamento. Ainda, uma resolução do Conselho Monetário Nacional, que obriga o sistema financeiro a exigir a regularidade ambiental como condição para o crédito rural, a partir de 1º de julho, como parte de um conjunto de medidas para prevenir, monitorar e controlar o desmatamento na floresta tropical vem sendo atacada por interesses contrários.

 

É preciso ter consciência de que a Amazônia não é só a maior floresta tropical do mundo, mas um estoque de biodiversidade sem igual em todo o Planeta. Além disso, as florestas funcionam como grandes reservas de carbono, que é absorvido da atmosfera e é retido pela vegetação e, eventualmente, pela matéria orgânica que se acumula no solo. Com a destruição da floresta, seja por queimadas, seja por corte da vegetação, esse estoque de carbono acaba liderado na atmosfera e a capacidade de novas absorções se extingue.

 

Um dos principais problemas enfrentados pela floresta amazônica é o desmatamento ilegal e predatório. Há também fazendeiros que provocam queimadas na floresta para ampliação de áreas de cultivo (principalmente de soja). Estes dois problemas preocupam cientistas e ambientalistas do mundo, pois em pouco tempo, podem provocar um desequilíbrio no ecossistema da região, colocando em risco a floresta. O desmatamento da floresta traz consigo uma série de efeitos perversos: extinção de espécies de bichos e plantas, destruição de áreas indígenas, empobrecimento do solo, além de aumento da emissão de gás carbono na atmosfera, contribuindo para o efeito estufa. Conheça os comentários do Greenpeace acerca do Plano Amazônia Sustentável (PAS), lançado no início de maio.

 

Com bem disse, recentemente, a ex-ministra: “A Amazônia está acima de nós”. Se existe um erro, ou até mesmo um “crime”, que não será perdoado pelas próximas gerações é essa destruição, que está em andamento fruto de diversos fatores. Sendo patrimônio nacional (art. 225, § 4.º CF/88), a Floresta Amazônica brasileira não está sujeita a intervenções injustificadas de outros países. Contudo, é necessário que o Brasil seja capaz de preservar a sua soberania, não sendo negligente com tamanha riqueza, mas a defendendo com seriedade, consciência e utilizando todos os instrumentos disponíveis. Caso contrário, não poderá reclamar se, à frente, ameaças internacionais veladas se concretizarem. Veja uma matéria acerca disso clicando aqui.

 

 

 

            o O grande problema das sacolas plásticas

 

O saco plástico é um dos mais conhecidos problemas ambientais no mundo. No caso específico das sacolas de supermercado, a matéria-prima é o plástico filme produzido a partir de uma resina chamada polietileno de baixa densidade (PEBD). As ‘sacolinhas’ não são formas de transporte inofensivas para o ambiente, por dois motivos básicos: o elevado número produzido por ano e a natureza não biodegradável do plástico com que são produzidas. Além disso, a manufatura do polietileno se faz a partir de combustíveis fósseis e acarreta a emissão de gases poluentes. No Brasil são produzidas 210 mil toneladas anuais de plástico filme, que já representa 9,7% de todo o lixo do país. Como elas levam séculos para se decompor, vão sendo acumuladas nos aterros sanitários e nos lixões, o que contribui para que novos aterros sejam necessários, além de impedirem a passagem da água, retardando a decomposição dos materiais biodegradáveis, bem como dificultam a compactação dos detritos. Saiba, também, acerca do problema que o lixo plástico causa ao mar.

 

É certo que se depende dos plásticos para fazer muitas coisas, mas há que se preocupar com seu consumo em demasia e, na medida do possível, substituí-lo por outros materiais. Não é uma tarefa fácil no curto prazo, mas algumas medidas podem ser tomadas de imediato como, por exemplo, a substituição das sacolas plásticas, já que sacolas plásticas “ecologicamente corretas” ainda é um assunto polêmico. Essa realidade, que tanto preocupa os ambientalistas, já justificou mudanças importantes na legislação e na cultura de vários países europeus. Ir às compras levando a sua própria sacola ou carrinho, já faz parte dos hábitos de muitos europeus, inclusive, quem vai ao supermercado e não leva a sua própria sacola retornável terá que pagar para levar uma (ou mais) sacola(s) de plástico. Mais além foi a cidade de São Francisco (Califórnia/EUA) que proibiu as sacolas plásticas. Também, a China decidiu banir todas as sacolas plásticas em lojas do país, a partir de junho/2008.

 

No Brasil, em regra, essa prática ainda é uma opção dos consumidores conscientes, mas a tendência é que essa situação também se altere por aqui. Por exemplo, Belo Horizonte é a primeira capital a impor restrições ao uso das sacolas de plástico tradicionais, tendo dado prazo de três anos ao comércio para adaptação, veja a matéria. No estado de São Paulo também já há movimentos nesse sentido, bem como o site do Ministério do Meio Ambiente divulga alternativas às sacolas plásticas e suas vantagens, auxiliando o consumidor consciente.

 

 

            o Educação ambiental

 

O Dia Mundial do Meio Ambiente é lembrado no dia 5 de junho, sendo que há alguns anos atrás pensar em meio ambiente significava pensar somente na natureza e nos animais. A nova visão considera a nossa rua, a nossa casa, o nosso corpo e as relações que temos com outras pessoas, como fazendo parte dele. Desta forma, a educação ambiental faz parte do caminhar para uma sociedade sustentável, ou seja, trata da sobrevivência de nossa espécie e de todas as outras espécies e sistemas naturais do Planeta.

 

Assim, a educação ambiental visa promover e incentivar o desenvolvimento de conhecimentos, atitudes, comportamentos, valores éticos e de respeito à diversidade. Por conseqüência, os empreendimentos do homem, à medida que forem sendo adaptados à nova realidade e à nova necessidade, em função da formação dessa consciência e da adoção de novos comportamentos, também tendem a ser preservados.

 

Clique no link do título para informações básicas acerca de educação ambiental e assista a um  vídeo muito interessante produzido pela ONG Fundo Mundial da Natureza (WWF em inglês).

 

Destaques da 2ª quinzena de maio/2008:

 

o  A crise de alimentos e os biocombustíveis:

 

Recentemente, muito se tem comentado acerca da crise de alimentos mundial. As causas envolvem uma série de fatores, sendo alguns temporários e outros permanentes, podendo ser citados: as catástrofes climáticas, o aumento do petróleo, o crescente número de pessoas nos países em desenvolvimento comendo melhor, bem como o desenvolvimento dos biocombustíveis a partir de cereais, fazendo aumentar o preço dessas matérias-primas. Nos últimos dois anos os preços do trigo, milho, arroz e outros alimentos básicos dobraram ou triplicaram, com grande parte do aumento ocorrendo nos últimos meses. O link acima apresenta uma matéria com pontos de vistas divergentes, de dois especialistas, acerca da questão de o Brasil ser ou não vilão da escassez de alimentos. Veja, também, o relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE, ou OECD em inglês) sobre as perspectivas agrícolas até 2016.

Um motivo para a crise dos alimentos ter ficado tão severa, tão rapidamente, é que governos e mercadores privados de grãos costumavam manter grandes estoques em tempos normais, para o caso de uma safra ruim criar uma escassez repentina. Mas, ao longo dos anos, foi autorizado que estes estoques preventivos encolhessem, principalmente porque todos acreditavam que os países que sofressem uma quebra de safra sempre poderiam importar o alimento necessário. Isso deixou o equilíbrio mundial de alimentos altamente vulnerável a uma crise que afeta muitos países ao mesmo tempo.

Os biocombustíveis foram desenvolvidos em resposta ao problema dos efeitos das alterações climáticas e devido à necessidade de diminuir as emissões de gases do efeito de estufa. Nos Estados Unidos, o etanol é produzido à base de milho e pode afetar a segurança alimentar. No espaço de poucos anos, os EUA desviaram cerca de 40 milhões de toneladas de milho para produção de bioetanol - cerca de 4% da produção global de grãos forrageiros. O rápido crescimento se deve em grande parte aos subsídios. Os benefícios ambientais do biocombustível de milho são, na melhor hipótese, ambíguos e não devem ser colocados à frente da produção de milho como alimento, já que aumentam os questionamentos sobre o real benefício ambiental da bioenergia. Computado todo o petróleo consumido no ciclo de produção, dos fertilizantes às máquinas, a contribuição dos biocombustíveis para retardar a mudança climática pode ser irrisória, como ocorre com o álcool de milho nos EUA.

No Brasil a matéria-prima é a cana-de-açúcar, todavia, há que se ter preocupação com um sistema produtivo sustentável. Mas, na verdade, até mesmo políticas de biocombustíveis aparentemente "boas", como a usada pelo Brasil com o etanol de cana-de-açúcar, aceleram o ritmo da mudança climática ao promover o desmatamento. Também, quando a terra usada para cultivo de biocombustível é terra não disponível para o cultivo de alimentos, contribui para a crise dos alimentos. Veja uma análise sobre as causas da crise, feita por Benjamin Steinbruch, empresário, diretor-presidente da Companhia Siderúrgica Nacional, presidente do conselho de administração da empresa e primeiro vice-presidente da Fiesp.

Na indústria de biodiesel, para garantir a mistura obrigatória ao diesel de petróleo, produz-se o combustível a partir do óleo de soja, base de pelo menos 80% do biodiesel fabricado no Brasil. Um relatório, produzido pela ONG Repórter Brasil, analisa os impactos socioeconômicos, ambientais, fundiários, trabalhistas e sobre indígenas e populações tradicionais, causados pela expansão da soja no país.

 

 

      o  Sobre “produto ecológico”:

 

“Produto ecológico”, “produto verde” ou “produto ecologicamente correto” são conceitos que entram no cenário global como opções de consumo consciente. Contudo, no Brasil, quando se fala em produto ecológico, quase sempre vem à mente a idéia de artefatos elaborados artesanalmente com matérias-primas naturais ou, em âmbito empresarial, de equipamentos e sistemas para controle de emissão de poluentes, tratamento de efluentes e resíduos industriais. Para o consumidor final, o conhecimento do que seja um produto ecológico comercial para seu uso ainda é algo distante.

 

Produto ecológico é todo artigo que, artesanal, manufaturado ou industrializado, de uso pessoal, alimentar, residencial, comercial, agrícola e industrial, seja não-poluente, não-tóxico, notadamente benéfico ao meio ambiente e a saúde, contribuindo para o desenvolvimento de um modelo econômico e social sustentável.

 

O uso de matérias-primas naturais renováveis, obtidas de maneira sustentável ou por biotecnologia não-transgênica, bem como o reaproveitamento e a reciclagem de matérias-primas sintéticas por processos tecnológicos limpos são os primeiros itens de classificação de um produto ecologicamente correto.

 

Para um produto receber o rótulo de ecológico, todo o processo produtivo deve ser limpo e apropriado, com uso de matéria-prima natural renovável ou não (mas reaproveitável), sintética reaproveitada e/ou reciclada, com insumos ecológicos, com baixo consumo energético para sua fabricação, com menor carga residual sobre o meio ambiente, com possibilidade máxima de recuperação ou reciclagem. Veja o catálogo on line que permite escolher produtos sustentáveis, que armazena informações sobre produtos e serviços avaliados e selecionados pela equipe de especialistas do Centro de Estudos em Sustentabilidade da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas (GVces). O cuidado que se tem de ter é com o “marketing verde”, por exemplo, com o uso inapropriado do “selo verde” na divulgação de seus produtos, mas isso será controlado pelo próprio aumento de consumidores conscientes. Saiba mais acerca do conceito de produto ecológico clicando aqui.

 

 

            o  A poluição luminosa.

 

Um tipo de poluição pouco divulgada é a poluição luminosa. Mesmo em uma noite de céu sem nuvens o efeito da poluição luminosa é devastador. Não é apenas a degradação do céu noturno que é relevante, mas o desperdício de energia. Em uma grande cidade conseguimos ver estrelas de até terceira ou quarta magnitude, enquanto em uma região menos iluminada podemos enxergar as de até sexta magnitude. Mas o que isso representa? Clique no link do título para ver uma demonstração e para ver algumas fotos.

Destaques da 1ª quinzena de maio/2008:

            o Você sabe o que significa “3 R´s”?

 

Os problemas ambientais globais tornam patente a extensão da crise ecológica na qual estamos inseridos. Os sinais mais evidentes para as pessoas são: o aquecimento global, as mudanças climáticas, a intensificação da extinção de espécies, o aumento da poluição do ar, do solo e das águas, bem como a destruição das florestas. A alternativa para se enfrentar esses problemas é uma profunda mudança em toda a sociedade: nos valores sociais, nos padrões de consumo, na adoção de tecnologias verdes, na implantação da gestão ambiental em todo processo produtivo, etc. Isso porque muito da intensificação da degradação do meio ambiente tem ligação com o aumento substancial do consumo nos últimos 200 anos, e a perspectiva, a curto e médio prazo, é o seu crescimento contínuo, devido a que muitos países em desenvolvimento adotaram o modelo seguido pelos países mais ricos.

 

A política dos “3 R´s” está ligada ao tratamento dos resíduos sólidos urbanos (RSU), sendo que cada “R” significa, nesta seqüência: REDUZIR - RECLICLAR - REUTILIZAR. Ou seja, em primeiro lugar, é preciso reduzir a produção de resíduos; em segundo, reciclar o lixo que for produzido e, por fim, tratar o que não puder ser reaproveitado. Necessariamente nessa ordem. A importância da redução foi abordada no primeiro destaque publicado neste blog na quinzena passada (ver abaixo). No que tange à reciclagem, tem-se que esta é uma alternativa para o tratamento do lixo urbano, separado na coleta seletiva. A implantação de um sistema de coleta seletiva de lixo não só contribui para a redução da poluição causada pelo lixo, como também proporciona economia de recursos naturais - como matérias-primas, água e energia - e, em alguns casos, pode representar a obtenção de recursos advindos da comercialização do material. Nos países desenvolvidos, como França e Alemanha, a iniciativa privada é encarregada do lixo. Fabricantes de embalagens são considerados responsáveis pelo destino do lixo e o consumidor também tem de fazer a sua parte. Por exemplo, quando uma pessoa vai comprar uma pilha nova, é preciso entregar a usada.

 

A Revista Digital Envolverde, em fevereiro 2008, divulgou que com um índice nacional de 20% de reciclagem, o Brasil perde por ano o montante de US$ 10 bilhões por não recuperar todo o seu lixo. A conta foi feita pelo economista especialista em meio ambiente, Sabetai Calderoni, do Instituto Brasil Ambiente, autor do livro “Os Bilhões Perdidos no Lixo”. Por sua vez, o Decreto nº 5.940, de 25 de outubro de 2006, institui a separação dos resíduos recicláveis descartados pelos órgãos e entidades da administração pública federal direta e indireta, na fonte geradora, e a sua destinação às associações e cooperativas dos catadores de materiais recicláveis. Mais informações acerca da aplicação desse Decreto podem ser obtidas no site da Coleta Seletiva Solidária.

 

Conheça, ainda, algumas dicas para praticar os 3 “R´s”, bem como o site recentemente lançado pela TetraPak – Rota da Reciclagem, que mostra quais são as cooperativas, os pontos de entrega voluntária e os pontos comerciais, em todo o Brasil, que recebem embalagens longa vida de leite, sucos e molho de tomate, por exemplo.

 

 

      o  Poluição: um problema com várias conseqüências.

 

A matéria do link acima apresenta diversas informações acerca dos tipos de poluição e suas conseqüências. Poluição pode ser definida como a liberação de elementos, radiações, vibrações, ruídos e substâncias ou agentes contaminantes em um ambiente, prejudicando os ecossistemas biológicos ou os seres humanos. Tipos de poluição: atmosférica (do ar), hídrica (das águas), do solo, radioativa, visual, sonora, térmica e luminosa.

 

No tocante à poluição do ar, tem-se que o transporte contribui com parcelas significativas nas emissões globais de agentes poluidores. Os grandes centros urbanos são as regiões que mais sofrem com a poluição atmosférica, por apresentarem uma grande quantidade de veículos circulando em áreas restritas, além de agregarem grande parte das indústrias, que é outra grande fonte poluidora do ar. Apesar de os novos automóveis fabricados possuírem tecnologia que controla os níveis de emissão de poluentes, o fortalecimento da economia provocou crescimento nas vendas, o que colaborou para o aumento no número de veículos nas ruas. Porém, como os investimentos em transporte coletivo vêm se tornando cada vez mais escassos, restam medidas operacionais paliativas como, por exemplo, o rodízio de carros.


Apesar de não existir estatísticas acerca de doenças causadas pela poluição, sabe-se que as crianças e os idosos são mais vulneráveis a ela e que os problemas respiratórios, em grande parte, são devidos à má qualidade do ar que respiramos. Para conhecer alguns dados acerca da emissão de CO2 no Estado de SP, que abriga 22% da população brasileira, é responsável por 31% do PIB e tem 16 milhões de veículos, veja este relatório que foi divulgado em março/2008, pela Secretaria do Meio Ambiente. 

 

 

      o Vídeo: Mudança do clima, mudança de vidas.

 

Atualmente, o debate não é mais se a Terra está em processo de aquecimento ou não. Isso todos concordam e os sinais podem ser sentidos em todas as regiões do mundo. As mudanças climáticas se expressam, também, pelo aumento dos desastres naturais tais como as grandes inundações, secas de longa duração, furacões e ciclones extratopical em maior quantidade e intensidade, aparecendo, com mais freqüência, etc. Então, o que hoje se discute são as causas e as medidas preventivas para melhorar o futuro da humanidade.

 

Clique no link acima para assistir a trailers rápidos ou ao filme completo (aprox. 50 min.) produzido pelo Greenpeace, acerca das mudanças climáticas e suas conseqüências. Recomenda-se o trailer 3, que tem duração de 6 minutos.

Destaques da 2ª quinzena de abril/2008:

o Lixo: entenda o problema.

 

Todos os dias o Brasil produz, em média, 240 mil toneladas de lixo. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) o brasileiro joga fora, anualmente, cerca de 90 latas de bebidas, 100 kg de papel, 107 frascos em geral, 70 latas de alimentos e 45 kg de plástico. É uma quantidade significativa de lixo e a tendência é a de que tais cifras aumentem. Isto se deve ao fato de que a produção de lixo está diretamente ligada ao poder de compra da população. Quanto mais rica a população de um país, mais lixo ela produz. O aumento e a intensidade da industrialização são os dois fatores principais de origem e produção desses resíduos, resultantes da atividade diária do ser humano.

 

Segundo o IBGE, cada brasileiro produzia, em 1982, cerca de 500 gramas diárias de lixo. Em 1996, a produção subiu para 750 gramas e hoje cada indivíduo produz 1 kg de lixo por dia, identificando-se a tendência de que este volume cresça cerca de 30% a cada cinco anos.

Países ricos como os Estados Unidos e o Japão produzem atualmente mais de 2 quilos de lixo por pessoa, por dia. Os problemas de poluição gerados ao meio ambiente serão irreversíveis, se nada for feito para contê-los, já que se está produzindo mais e mais detritos, sem que eles tenham o devido tratamento. Veja a matéria: “Lixo sem destino”.

 

Grande parte do que é descartado vai parar em lixões, uma vez que poucos municípios implementaram aterros sanitários. Porém, o aumento da quantidade de lixo gerado nas grandes cidades provocou um novo problema: o esgotamento rápido dos aterros sanitários. Falta espaço para acomodar tanto resíduo. Mais da metade dos resíduos é jogado em terrenos a céu aberto, colocados à beira de estradas e até jogado nos rios. Também, no tocante à preocupante questão do aquecimento global, tem-se que a decomposição do lixo emite metano (CH4), gás que é ainda pior que o dióxido de carbono (CO2), para o efeito estufa.  

 

Ainda, além dos problemas ambientais, o lixo se tornou um problema social e de saúde pública. Sem mencionar os adultos, segundo a UNICEF, milhares de crianças e adolescentes brasileiros vivem da garimpagem do lixo. São filhos de famílias muito pobres que ajudam os pais a catar embalagens plásticas, papéis, latinhas de alumínio, a separar vidros e restos de comida. Os meninos e as meninas de todas as idades ganham uma miséria e, ainda, correm o risco de contraírem doenças, o que é uma vergonha nacional.

 

De qualquer forma, se o lixo é problema diretamente ligado à riqueza e ao consumismo, é importante ressaltar que se os hábitos dos consumidores são uma parte do problema, eles são, também, uma parte da solução. Então, embora haja certa dependência de alternativas que devam ser estimuladas por políticas públicas, conduzidas pelo governo e implementadas pelas empresas ao ofertarem produtos e serviços “sustentáveis”, ou seja, com menor impacto social e ambiental negativo, o papel do consumidor está, é claro, no consumo consciente, já que é preciso, antes de se pensar em reciclar, reduzir a geração de lixo, por exemplo: (a) não desperdiçando alimentos, comprando e cozinhando apenas o necessário; (b) diminuindo o consumo de produtos embalados; (c) reutilizando as embalagens ou, pelo menos, reciclando-as; (d) evitando o desperdício em geral, já que isso acaba gerando mais resíduos mais cedo ou mais tarde. Veja matéria sobre a campanha do Ministério do Meio Ambiente pela produção mais limpa e pelo consumo consciente de embalagens.

 

 

 

            o O efeito estufa em si não é o problema, mas sim o agravamento desse efeito.

 

O efeito estufa é um processo que ocorre quando uma parte da radiação solar, refletida pela superfície terrestre, é absorvida por determinados gases presentes na atmosfera e o calor fica retido, em vez de ser liberado ao espaço. Dentro de uma determinada faixa isso é de vital importância, pois sem o efeito estufa não haveria vida na terra e nos oceanos, pelo menos com a riqueza, a diversidade e complexidade que se conhece hoje.

 

Então, o problema não está propriamente no efeito estufa, mas está no seu agravamento provocado pelas atividades do homem, em especial nas últimas décadas, desestabilizando o equilíbrio climático e causando o fenômeno conhecido como aquecimento global. A regulação do clima, entre outros, é um dos serviços prestados pela natureza. Portanto, quando se fala sobre os efeitos perniciosos do efeito estufa, está-se referindo à intensificação desse efeito, provocado pelo homem, e não ao evento atmosférico em si.

 

No início de abril ocorreu, em Bancoc (Tailândia), reunião com 1,1 mil delegados de 163 países para discutir um acordo para valer após a expiração do Protocolo de Quioto (ou Kyoto), em 2012.  O Painel Intergovernamental de Mudanças do Clima (IPCC) alerta que é crucial que as emissões se estabilizem em 10 a 15 anos e depois caiam radicalmente (50% até 2050) se o mundo quiser evitar as piores conseqüências dos efeitos do aquecimento global. Nesse encontro, entre outras decisões, foi aprovada por consenso uma declaração que promete examinar as maneiras de limitar e reduzir as emissões de poluentes por aviões e navios, que haviam sido excluídos no Protocolo de Quioto. Veja, também, que os estragos das mudanças climáticas já são visíveis aqui no Brasil, gerando perdas de diversas naturezas, além das previsões de mais doença, por exemplo casos de dengue. Portanto, a necessidade de urgência nas ações é um fato e isso será lembrado nas comemorações do Dia da Terra (22 de abril).

 

 

 

            o Pegada ecológica e pegada de carbono. Você sabe o que elas significam?

 

O consumo de cada pessoa deixa uma marca de degradação ambiental – “uma pegada”. A pegada ecológica é uma forma de avaliar quanto cada pessoa consome de recursos naturais e energia. A pegada de carbono se refere à estimativa de emissões de gases de efeito estufa associada às nossas atividades cotidianas. Com o atual padrão de consumo e produção, estamos liberando imensas quantidades de dióxido de carbono, metano e outros gases na atmosfera, intensificando o efeito estufa e retendo mais calor na atmosfera.

 

Então, pensar globalmente (mudança climática, camada de ozônio, escassez de água, poluição, degradação ambiental, etc.) e agir localmente é o caminho a se tomar, pois as escolhas diárias de cada um causam grandes impactos ambientais. Saiba mais clicando no link do título, inclusive sobre como você pode fazer a sua parte.

Destaques da 1ª quinzena de abril/2008:

o        Água doce e limpa: de “dádiva” à raridade.

 

A água doce é um serviço que a natureza nos presta, um bem precioso, insubstituível, finito e que está em risco. Por isso, cada vez mais será motivo de conflito entre as nações. Lembrado no dia 22 de março, o Dia Mundial da Água foi criado pela Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), para ser observado a partir de 1993 e, no Brasil, o Congresso Nacional instituiu o Dia Nacional da Água na mesma data.

 

Com o aumento desenfreado do consumo, há cada vez menos água disponível por pessoa. Segundo a ONU, o uso da água aumentou mais que o dobro da taxa de crescimento demográfico ao longo do século passado. A água limpa está cada vez mais rara e a água de beber cada vez mais cara. Essa situação resulta da forma como a água disponível vem sendo usada, ou seja, a maior demanda, o desperdício e o uso inadequado podem esgotar ou degradar esse recurso. Aliás, esse problema já é realidade para milhares de pessoas e acredita-se que, no médio prazo, mantidas as atuais formas de uso, a falta de água poderá abranger todo o planeta, gerando uma crise global da água.

 

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, em comunicado divulgado no site dedicado ao Dia Mundial da Água, destacou a importância de se adotar medidas em relação a uma crise que afeta mais de uma em cada três pessoas no mundo. "Péssimas condições de saneamento, combinadas com a falta de água potável e de condições de higiene, contribuem para as terríveis taxas de mortes associadas ao problema", afirma o secretário. Quanto ao Brasil, veja a matéria: “Poluição da água cresce 280% entre 2004 e o ano passado”, baseada no relatório divulgado pela organização não-governamental Defensoria da Água: “O Estado Real das Águas no Brasil”.

 

É bom lembrar que a água doce representa menos de 3% de toda a água existente no mundo, estando somente 0,03% disponível para consumo nos lagos e rios. Portanto, é preciso usar a água sem desperdício e ter cuidado para evitar a sua degradação, já que é um recurso vital e o volume de água doce na Terra é fixo!

 

 

o        Aquecimento global: onde está a solução?

 

Um relatório do Programa da Organização das Nações Unidas (ONU) para o Meio-Ambiente (Pnuma), divulgado no mês passado, revela que as geleiras estão derretendo em ritmo muito acelerado e isso é um dos sinais inegáveis do aquecimento global, sendo que, entre outras conseqüências, pode-se citar o aumento do nível dos oceanos acarretando problemas para as populações costeiras e, no limite, ameaça a sobrevivência do ser humano. Segundo cientistas reunidos no Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC), o aquecimento global está ligado à concentração atmosférica de gases que causam o efeito estufa. Veja estas matérias acerca do degelo: satélites da Nasa confirmam degelo na calota polar ártica e um bloco de gelo de pouco mais de 400 km² da plataforma de Wilkins, na Península Antártida, desintegrou-se no mar. Ainda, o link do título leva a um documento produzido pelo Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), sobre mudança do clima.

 

A solução está na conscientização e na adoção de novas práticas por todos: empresas, governo e sociedade civil. Porém, trata-se de um problema que, além de necessitar de grande adesão, necessita também de rapidez nas ações. Houve um tempo em que o poder esteve nas mãos da igreja, depois com o Estado, sendo que aí estão as catedrais, os templos religiosos e os diversos palácios para contarem essa história. Contudo, hoje os palácios e o poder estão relacionados às grandes empresas, em especial, às de alcance global. Assim, embora ainda se tenha muito a fazer, dá esperança ver que várias grandes empresas, que têm visão de longo prazo, já estão conscientes disso e demonstram na prática, enfrentando os novos desafios com a velocidade e o compromisso que a urgência e a importância do problema requerem, independentemente das ações dos governos. Porém, estes também têm o seu papel e não podem se eximir de suas responsabilidades com a sustentabilidade, atuando: por meio de leis, regulamentação e incentivos; na educação ambiental e na operacionalização de suas atividades de forma consciente, entre outras iniciativas. Veja matéria da Revista Exame – março/2008:A pressão chega a Brasília”.

 

No tocante ao papel da sociedade civil, além das pequenas e importantes atitudes no dia-a-dia, este também envolve reconhecer o empenho dessas empresas, dentro do possível, dando-lhes preferência nas escolhas de consumo. No Brasil, por exemplo, algumas empresas foram destaque no Guia Exame de Sustentabilidade 2007, mas existem muitas outras iniciativas, inclusive de empresas menores. Prestando atenção nas propagandas, nos produtos e em suas embalagens, bem como no modo de operar das empresas/instituições, naturalmente, vai se formando uma percepção acerca dos cuidados com o meio ambiente, que é direito de todos (art. 255, CF/88). A tendência é, aos poucos, as empresas/instituições serem identificadas como as que atuam a favor e as que atuam contra o meio ambiente, com reflexos diretos em seus negócios, respectivamente, positivos e negativos.

 

Por isso o consumo consciente nunca foi tão divulgado, ou seja, isso se dá porque o poder das escolhas do consumidor é muito grande e, portanto, um fator importante para induzir as mudanças necessárias em direção à sustentabilidade. Leia também sobre a repercussão do movimento Earth Hour (Hora da Terra) anunciado nos destaques da última quinzena, cujo tema é: “veja a diferença que você pode fazer”.

 

 

o        Mudanças Climáticas: fotógrafos registram os efeitos em diversas regiões do mundo.

 

Dez dos melhores fotógrafos do mundo registraram o impacto das mudanças climáticas, e projetos criados para evitá-la, em diferentes regiões do mundo. Veja no link acima. No Brasil, a grande seca da Amazônia, em 2005, e o furacão Catarina, em 2004, são indícios dessas alterações, assim como as mudanças no regime de chuvas em todo o país.

 

Destaques da 2ª quinzena de março/2008:

o Queimadas e desmatamento fazem do Brasil o 4º maior emissor de poluentes no mundo. Assista a um vídeo sobre isso, clicando aqui.

 

O Brasil, embora tenha uma posição privilegiada com relação à utilização de energia de fontes renováveis, quando desmata e queima suas florestas libera tanto carbono na atmosfera que ostenta o constrangedor 4º lugar entre os maiores emissores de gases do efeito estufa. A destruição das florestas representa 75% das emissões, além de perder capacidade de seqüestro de carbono (processo realizado pelas árvores), o que faz aumentar as concentrações atmosféricas. Inclusive foi notícia, na semana passada, que a Amazônia perdeu área equivalente a 40% da cidade de São Paulo, só em janeiro! Veja a matéria.

 

Apesar da idéia de que a energia no Brasil é predominantemente “limpa”, em função das hidrelétricas, mais da metade da energia (56%) ainda vem de fontes não-renováveis (petróleo e derivados, gás natural, carvão mineral e derivados, urânio e derivados). As fontes de energia renováveis e sua participação na matriz energética brasileira são: lenha e carvão vegetal (13%), álcool e bagaço de cana (14% - próximo da oriunda das hidrelétricas – 15%) e outras fontes renováveis (2%).

(*) Balanço Energético Nacional, Resultados Preliminares, ano base 2006.

 

Mas, não significa que o problema do desmatamento esteja restrito à Amazônia ou às áreas florestais, já que pode estar relacionado aos hábitos de consumo. A certificação da madeira, pelo Conselho Brasileiro de Manejo Florestal (Forest Stewardship Council - FSB Brasil) - selo FSB ou “selo verde” (*)-, garante ao consumidor que a extração da madeira foi realizada de forma ambientalmente adequada, sendo uma exigência em vários países no caso de produtos para exportação. Portanto, o consumidor consciente também tem o seu papel. Saiba mais nestes dois sites: Ecolog e Portal da Madeira Manejada. (*) o “selo verde” não se restringe a produtos de madeira.

 

 

o “Mude o consumo para não mudar o clima.”

 

Clique no título para conhecer o site da nova campanha do IDEC (Instituto de Defesa do Consumidor) pelo consumo consciente, em parceria com a organização não-governamental Vitae Civillis. Também, na semana passada, o Ministério do Meio Ambiente lançou a campanha “Consumo Consciente de Embalagem - A escolha é sua. O planeta é nosso”.

 

Cada vez mais as campanhas voltadas à preservação do meio ambiente, em todo o mundo, estão estimulando as pessoas a mudarem os seus hábitos consumo e por uma simples razão: porque isso é necessário! Elas têm por objetivo despertar a consciência acerca das questões ambientais e estimular a utilização racional dos recursos naturais limitados, seja pela diminuição do desperdício (que ainda gera mais resíduos, mais poluição), seja pela compra de produtos mais "ecológicos". O relevante é ter em mente que, além de isso ser uma tendência sem volta, ao contrário do que muitos possam pensar, a ação de cada um é importante, pois será somada a outras e é isso que fará a diferença. Aliás, esse é, também, o espírito do movimento "Earth Hour", que ocorrerá às 20hs. no dia 29 de março, em várias grandes capitais do mundo, multiplicando o que ocorreu no ano passado em Sydney, quando 2,2 milhões de pessoas e 2.100 negócios apagaram suas luzes por uma hora (Hora da Terra - Earth Hour. Tema da campanha: see the difference you can make” – veja a diferença que você pode fazer).

 

 

o Você sabe o que é A3P?

 

A Agenda Ambiental na Administração Pública - A3P - é um projeto que se iniciou no Ministério do Meio Ambiente e busca a construção de uma nova cultura institucional envolvendo: combate a todas as formas de desperdício; gestão ambiental de resíduos; inclusão de critérios socioambientais nos processos de licitação para aquisição e contratação de serviços; sensibilização de servidores em relação aos aspectos ambientais e de melhoria de qualidade do ambiente de trabalho. É uma iniciativa de adesão voluntária, sendo que o Programa foi criado para ser aplicado na administração pública, mas pode ser usado como modelo de gestão ambiental por outros segmentos da sociedade.

 

Tendo em vista que o governo é um grande consumidor de recursos naturais, bens e serviços nas suas atividades, muitas vezes provoca impactos socioambientais negativos. Assim, a conservação racional dos recursos naturais, a proteção contra a degradação ambiental, bem como as ações educativas devem contar fortemente com a participação do poder público. Além disso, o governo, pelo seu grande poder de compra, orienta os agentes econômicos podendo incentivar o aumento da produção de produtos ambientalmente sustentáveis, tornando-os cada vez mais baratos.

 

Portanto, a gestão ambiental é, antes de tudo, uma questão de sobrevivência, tanto da sustentabilidade do ser humano no planeta, quanto das pequenas empresas no mercado, tendo em vista que o meio ambiente é hoje parte do processo produtivo, bem como da operacionalização consciente dos negócios, e não mais uma externalidade. Inclusive, o recém-divulgado relatório “OECD Environmental Outlook to 2030”, alerta que ignorar esses problemas significa assumir maiores custos à frente.

 

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE, ou OECD em inglês) é uma organização internacional dos países comprometidos com os príncipios da democracia representativa e da economia de livre mercado. Também é chamada de Grupo dos Ricos, pois, juntos, os 30 países participantes produzem mais da metade de toda a riqueza do mundo (o Brasil não faz parte). Esse documento também menciona que serão os países em desenvolvimento os que mais sofrerão com os impactos negativos da degradação do meio ambiente, justamente, porque estão menos preparados para a sua gestão e adaptação, razão da urgência nas ações uma vez que levam tempo para surtirem efeitos. Ou seja, é preciso pensar diferente e colocar em prática novos hábitos o quanto antes. Veja o sumário do referido relatório, traduzido para o português (.pdf).

 

Dz.

Destaques da 1ª quinzena de março/2008:

 

o Você já viu estas imagens da Terra?

      

Neste site é possível ver a Terra de forma bastante interativa escolhendo, por exemplo, o tipo de visualização (mapa, globo, vista do Sol ou da Lua), aumentando ou diminuindo o zoom, escolhendo se quer ver imagem de calor, de nuvens, de vapor de água e ainda alterar o satélite, etc. Que tal dar uma olhada (clique no link acima)? É só fazer suas escolhas e clicar em "Update".

 

Então, divirta-se, mas não deixe de notar que é este extraordinário ecossistema que "está em jogo", em especial, para as próximas gerações, já que dependem de nossas escolhas hoje e daqui para frente. Na mentalidade das populações urbanas, em regra, há a idéia de que homem e natureza são coisas distintas. Porém, a cada dia que passa torna-se maior a evidência e a consciência de que estão interligadas!

 

o  Responsabilidade e consciência ambiental.

 

Em âmbito global é cada vez mais evidente a preocupação das empresas e da sociedade quanto às alterações causadas pelo homem no meio ambiente. As empresas que se adaptarem rapidamente a esse novo cenário poderão tirar proveitos econômicos. Matéria do Guia EXAME de Sustentabilidade 2007- maior levantamento de responsabilidade corporativa do país - conclui que as empresas nunca estiveram tão expostas e que a prestação de contas das metas sociais e ambientais, assim como das financeiras, é uma tendência irreversível

                       

Também, segundo o "guru" Michael Porter (*), os negócios irão mudar, radicalmente, com o aquecimento global e o que deve estar claro para as empresas, independentemente do que a ciência diga ou não sobre isso, é que é melhor que elas se comportem como se o fenômeno estivesse acontecendo. E a primeira lição a ser tirada é que economizar energia e minimizar o desperdício é bom. Bom para a empresa, bom para a sociedade. A segunda é que os custos das emissões de gases causadores do efeito estufa vão subir. E esses dois fatores são fortes o suficiente para reconfigurar toda a estrutura das corporações globais.

 

Portanto, dentro do possível, dar preferência a um produto mais "ecológico", em detrimento de outro sem a mesma preocupação, significa não só colocar em prática escolhas conscientes de consumo, como também privilegiar as empresas que já estão conscientes, investindo e trabalhando de forma positiva nesse aspecto, mostrando isso em seus produtos e na operacionalização de seus negócios. Assim, quanto mais e mais pessoas puderem, e fizerem, suas opções dessa forma, mais rapidamente mais e mais empresas também precisarão se adpatar às novas exigências e necessidades de preservação do meio ambiente, até mesmo para que elas próprias sobrevivam.

            (*) economista, professor da Harvard Business School, autor de diversos livros e maior referência mundial em estratégia e competitividade.

 

 

 o  A ONU inaugura depósito subterrâneo no Ártico para preservar sementes de todo o mundo.

     

Assunto recentemente noticiado, este lugar - a caixa-forte dos alimentos - está sendo chamado de forma exagerada de "caverna do juízo final". Na verdade, o banco de sementes não terá utilidade apenas se houver uma hecatombe mundial. O objetivo mais imediato é servir como um reservatório genético, que poderá ser utilizado por cientistas para experimentar cruzamentos e desenvolver novas variedades de plantas. Hoje, caso a humanidade resolvesse abdicar da agricultura e voltasse a viver da caça e da coleta, estima-se que um terço da população ficaria sem comida.


O projeto é das Nações Unidas em parceria com o governo da Noruega e financiamento de Bill Gates, fundador da Microsoft e um dos homens mais ricos do mundo.

 

Dz.

    

Destaques da 2ª quinzena de fevereiro/2008:

o LINK 1 : 6 GRAUS PARA O INFERNO
Apresentação (.pdf), em português, de um resumo do livro “Six Degrees: Our Future on a Hotter Planet”, escrito por Mark Lynas.
 

o LINK 2 : RECICLAGEM DE PILHAS E BATERIAS
Programa "Papa-Pilhas", do Banco Real, com coleta nas agências.

[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]
Visitante número: